terça-feira, 25 de maio de 2010

Carta ao meu aluno.

Uma carta sincera

Meu caro aluno (a),


Gostaria, neste momento, dizer-lhe com empolgação que devemos continuar a estudar, como tantas vezes fizemos. Afinal, quem mais puxa suas orelhas para estudar sou eu. Mas seria enganá-lo. A hora não é de aprender numa cinzenta sala de aula. Sei que alguns colegas seus andam pressionando pelo retorno às aulas; eu também quero aula, mas com dignidade. Saiba, caro aluno, que esses dias estão difíceis, e os que se avizinham parecem piores. Não tenho dinheiro para o aluguel, água e luz. Caro aluno, até fundo de greve estão fazendo para eu vir à faculdade. Meu caro, o patrão está indiferente à minha condição. Soube que alguns colegas seus querem me responsabilizar pela paralisação, pelo retardo do semestre, pelo empecilho na iniciação de sua carreira. Saiba, meu aluno, que me sentia responsável pela sua formação acadêmica; que, mesmo no li mite institucional, nunca deixei de cumprir com minhas obrigações. Saiba que toda minha qualificação profissional foi dedicada a você. Horas planejando aulas, relacionando conteúdo com a vida prática, pensando, em cada disciplina, em seu desenvolvimento cultural e político, pois qualquer ofício neste país ganha contorno sociais pela extrema carência da nossa população em todas as áreas. Se você me pergunta: Por que está em greve? Eu lhe respondo: eu não aguento mais, cansei e cheguei ao meu limite. Mas preciso dizer como um pai em dificuldade, quando tem que explicar ao filho porque, em véspera do dia das crianças, não tem brinquedo. Não tem porque não posso, porque não recebi. Digo isso com lagrimas nos olhos. Meu aluno não tem aula porque não posso ministrá-la. Roubaram meu transporte, minha alimentação, tiraram minha concentração, aviltaram minha formação. Não tem aula porque levaram seu dinheiro . Não tem aula porque acharam que sem o m ínimo ainda seria possível. Não tem aula porque hoje estou indignado com a exploração na educação. Não tem aula porque resolvi denunciar, resolvi dizer que não suporto mais fingir que está tudo bem. Hoje não tem aula para dizer para a reitoria que se ela não quer professor trabalhando de FAVOR, que nos pague. Hoje não tem aula porque eu estou de luto. Assassinaram a educação e expuseram suas entranhas em praça pública. Hoje não tem aula para que todos saibam que somos trabalhadores, profissionais, professores, especialistas, mestres e doutores e temos DIGNIDADE.

Comando de Greve

13 comentários:

  1. "CTCE - CÍRCULO DE TRAMBIQUEIROS CALOTEIROS DE EMPRESÁRIOS"

    Conta Bloqueada!!! E o que os advogados estão fazendo pra liberar o dinheiro? será que eles receberam pelo serviço pra tentar fazer alguma coisa? cambada de caloteiros cadê o nosso salario??? nem relogio trabalha de graça!! ow esta no bolso de vocês???

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  2. Muito romantismo para pouco resultado.

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  3. "Há que endurecer-se,mas sem jamais perder a ternura" Che Guevara

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  5. Mariza mas que acordo iremos aceitar se não existe nenhum???? queria ver você chegar na sua casa cansada de trabalhar e os cobradores na sua porta além do seu filho morrendo de fome, se você voltaria para um novo dia de trabalho queria ver se você com você querida!!

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  6. Tudo isso que está acontecendo é um tremendo absurdo!!!! Não estamos pagando para não ter aulas, sinto muito professores mas vocês não estão nem aí para os alunos, já que não estavam recebendo em dia há muito tempo por que não resolveram isso nas férias ao invés de esperarem chegar o fim do semestre para fazerem isso conosco? A universidade Camilo Castelo Branco sempre demonstrou incompetência, irresponsabilidade,desordem, quanto não pagamos em dia temos que pagar uma grande multa e no fim é isso que ganhamos??? Estou revoltada com tudo isso, me arrependo profundamente de ter pisado um dia nesta instituição que não respeita nem professores e muito menos alunos.

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  7. Sou funcionária e aluna da Unicastelo, e gostaria de deixar bem claro que respeito o direito dos professores, porem, não concordo com o que andam dizendo a respeito da Instituição. Eles pensão em tudo, menos nos alunos. Tambem tive atraso (mas recebi), mas não deixei de trabalhar por causa disso, pois a instituição deixou os funcionarios e professores cientes da situação (e pediu para que tivessemos paciencia, pois era uma questão judicial, e não da mantenedora), o que não é caso de falência "como andam dizendo", alguns (professores) não estão pensando nos alunos. Muito pelo contrário, estão usando os próprios alunos para atingir seus interesses. Será que eles não pensam no futuro? Não estão nem um pouco preocupados com a imagem da UNIVERSIDADE na qual eles são os professores; Na minha opinião, eles estão enrolando a corda no próprio pescoço, pois com isso eles vão conseguir a desistencia de alunos e transferências.
    Adorei a atitude dos professores do curso de Odontologia.. estes sim estão pensando nos alunos, e aceitaram o acordo apresentado pela Instituição.
    Agora: "Circulo de Trambiqueiros, Caloteiros?" Não acredito que um funcionário diz isso da empresa onde trabalha, acho ridiculo... eu sou funcionária e me senti muito ofendida com esse tituto dado a Instituição. Lembrando que a instituição não é só a Mantenedora e a Reitoria, mas cada um que nela trabalha. Não se esqueça "querido professor" que todos nós, incluse o sr. ou sra. é funcionário, logo é caloteiro e trambiqueiro, como você mesmo disse.

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  8. Cara Mariza, vários colegas meus não vão morrer de fome por que criamos um fundo de apoio aos professores. Mas, sei que entende, enquanto trabalhadora, o quanto é justa nossa reivindicação. No caso de sua humilhação diária, por parte de alguns professores, você precisa direcionar seu ódio para aqueles que lhe causam esse mal. Imagino que não seja a única a viver tal situação, portanto, sugiro que se organize e lute por sua dignidade também. abraço

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  9. Olá Simone,mato um leão por dia em meu serviço e diga-se de passagem ,luto bravamente portanto retiro as pedras que insistem em aparecer em meu caminho todos os dias, não direciono meu ódio a vocês, e não acho justo o que está acontecendo ,tudo o que eu quero é não sentir essa sensação ruím de estar sendo manipulada como parte de uma massa que a cada momento vem um e manobra a seu bel prazer! Desejo a todos de verdade que isso tudo acabe logo pois não tenho pai nem mão para bancar meus sonhos e não posso ficar tranquila em uma situação a qual não consigo acreditar em ninguém .Quando tudo isso acabar,qual será o apoio que os alunos irão receber quando tiverem dificuldades com as notas?

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  10. Nani... Sua mensagem foi genial! Concordo plenamente, parabéns!

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  11. PARTE I: Caras Mariza e Nani, acho que é importante entender com mais clareza, e talvez vocês ainda não o tenham feito, o que desencadeou essa situação de greve dos professores. Em primeiro lugar, o que levou a esse estado de coisas obviamente não foi uma reação impensada e imediata, do tipo estímulo-resposta, ao não pagamento dos salários referentes ao mês de abril. A questão das pendências financeiras da universidade com seus professores já se arrasta sem solução (e sem previsão concreta de solução) há, pelo menos três semestres. E, desde que o problema surgiu, todos os professores mantiveram a calma, a paciência, a compreensão, o compromisso e a confiança até porque sempre houve a promessa de que as coisas seriam, de algum modo, solucionadas. Paciência era a chave e todos os professores providenciaram a sua. Nesse meio tempo, a UNICASTELO passou por avaliação institucional realizada pelo MEC e obteve a nota 4 (uma nota vistosa, já que inúmeras outras universidades do país ficaram abaixo desse índice), o que só pode ser alcançado por conta de um comprometimento imenso e intenso dos professores com a universidade. Durante esse mesmo período, os professores foram incitados a se concentrar mais na universidade, fortalecendo seu vínculo profissional com a mesma, dedicando-se exclusivamente a ela. Muitos realmente o fizeram e passaram a fazer parte apenas do quadro docente da UNICASTELO, deixando outras atividades e aulas em outras instituições. Eu próprio fui um desses professores e, como tenho certeza que é do conhecimento dos meus alunos, desde então tenho me dedicado inteiramente a atividades ligadas à universidade (sou líder de grupo de pesquisa cadastrado no CNPq, sou o responsável por três projetos de extensão em vigência na universidade - um curso de Lógica Simbólica, do qual também sou o docente, o projeto "Cinema e Filosofia na Universidade" e o "Festival de Curtas UNICASTELO", sem contatar os diversos TCC’s orientados, reuniões realizadas com a congregação de curso e também com a reitoria, projetos de extensão realizados no ano passado, além, principalmente, da carga horária integral como professor). Assim, ao mesmo tempo em que débitos da instituição com relação aos professores iam sendo acumulados (ah, voltando a falar apenas de mim, no ano passado ministrei aulas de adaptação durante os sábados, o que ocorreu durante o mês de junho e, até hoje, também não recebi por isso; mas esse é um problema meu, não dos demais professores), maior compromisso foi sendo exigido pela universidade e praticamente todos os professores se entregaram plenamente a esse compromisso, sem pestanejar. Tenho quase certeza que todos os professores que passaram a se dedicar dessa maneira à UNICASTELO acreditaram plenamente na instituição e na sua direção, vendo para a ela um futuro promissor, a construção de uma instituição de ensino superior particular de qualidade e não apenas mais uma das tantas faculdades caça-níqueis que têm por aí. Algo raro, mas que na ocasião parecia viável, ainda mais mediante um esforço conjunto tão focado. Os resultados dessa dedicação vieram com a já mencionada boa avaliação, mas a contrapartida da instituição, por outro lado, foi se mostrando cada vez mais frágil. Não vamos esquecer que logo no primeiro mês do atual semestre letivo, a instituição teve dificuldades em realizar os pagamentos salariais, já anunciando o que viria meses depois. O que temos hoje, é preciso destacar, não é apenas uma questão de um montante considerável de dívidas financeiras da instituição com seus atuais professores, muitos deles verdadeiros guerreiros, combatentes.
    (CONTINUA...)

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  12. PARTE II: Vivemos hoje um nebuloso período de transição administrativa, onde o diálogo com os professores deixou de ser claro, objetivo. A controladoria da nossa atual mantenedora está com um pé dentro e com o outro fora da universidade e, para piorar a situação, a mantenedora (esta ou aquela gestão financeira, na verdade não importa) como um todo construiu uma imensa dívida previdenciária, trabalhista, e sabe-se lá de que outros tipos. Por isso, é uma simplificação muito ingênua acreditar que o grave problema que hoje passamos se deve a um mero contratempo judicial, um acaso jurídico, prestes a se resolver mediante alguma manobra milagrosa. Acordo? Que acordo? “Aguardem, que tudo vai se resolver”? Não, infelizmente, não é assim - e isso não só para nós professores, mas para vocês funcionários, Nani, e para todos os alunos como você e a Mariza. Essas contas foram bloqueadas por que a instituição tem dívidas astronômicas e, é óbvio, em algum momento alguém iria cobrar. E o fez. Vamos supor que manobras judiciais venham a contornar o problema por agora e os salários sejam pagos - sem qualquer correção muito provavelmente. E depois? Acho que o mais importante de todo esse movimento grevista é a preocupação com o futuro, o verdadeiro futuro, da UNICASTELO. Não é possível continuar com a incerteza de se, no próximo mês, ou no outro, algum juiz diferente não fará o mesmo. Dívidas são assim, alguém sempre cobra. Eu, por exemplo, sem receber, estou com meu aluguel atrasado, pensão alimentícia atrasada (com direito a ameaças da nada amistosa mãe da minha filha), a conta bancária estourada e sem a possibilidade de fazer qualquer saque - não tenho tido dinheiro para a condução para chegar até a universidade e acompanhar tudo mais de perto; se os professores não estivessem em greve, eu teria que estar, por força maior. Para minha infelicidade, a imobiliária vai cobrar, o banco vai cobrar... Dívidas são assim... Eu gosto muito de trabalhar nessa instituição (é uma região periférica, para a qual muitos não dão nada), gosto muito dos meus alunos (nem todos, é verdade...), dos meus colegas professores (nem todos, é verdade...), de ensinar, de estar na sala de aula. Também estou muito preocupado com os rumos da instituição e a situação dos alunos neste semestre. Mas sei que os professores farão de tudo para resolver a situação com seus discentes. Sei disso porque meus colegas são pessoas de caráter, os únicos professores realmente comprometidos e ligados – enraizados, eu diria – a esta universidade e, portanto, muito diferentes de outros que na verdade pouco ou nada se importam se esta instituição terá futuro ou não, até porque o desleixo com a saúde bucal – o que garante consultórios e mais consultórios – consegue ser tão comum quanto o egoísmo e a estupidez. No entanto, é claro que uma eventual reposição de aulas demandará esforços, ajustes. Mas isso será para todo mundo. E esforço, é conosco mesmo. O que eu espero honestamente é que vocês não ignorem que foco maior da nossa preocupação, de todos nós professores, está direcionado àquela UNICASTELO que chegamos a aventar, aquela universidade que um há não muito tempo acreditamos que poderíamos concretizar e para a qual muito contribuímos nos últimos meses. E esta universidade com a qual outrora sonhamos – e ainda sonhamos, enquanto nos for permitido – é justa, aberta, democrática, transparente, de qualidade, digna; e poderia prosseguir a lista de adjetivos. Queremos, em última instância, algo para nos orgulhar, até por que trabalhamos arduamente para que isso começasse a ganhar contornos mais nítidos. E, creio, esse também deve ser o único foco de todos aqueles verdadeiramente comprometidos com a nossa universidade: reitoria, professores, funcionários e alunos. Quero crer, meninas, que vocês também fazem parte dessa equipe.
    (COMENTÁRIO LONGO; TEVE QUE SER POSTADO EM DUAS PARTES)

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  13. OS PROFESSORES ESTÃO LUTADO PELOS SEUS DIREITOS,DEVEMOS FICARMOS ATENTOS POIS NUNCA O BOLETO FOI DISPONIBILIZADO VIA WEB, QUEM TEM PROUNI SÓ ESTÁ RECEBENDO O DESCONTO ATÉ O 5º DIA ÚTIL SENDO QUE O DESCONTO É NO VALOR INTEGRAL DA MENSALIDADE MESMO APÓS O 5 DIA UTIL,DEVEMOS CAIR NA REAL AFINAL SÃO 126 DE DÍVIDAS,ACHO QUE PERDEREMOS ESTE SEMESTRE QUE PASSOU,A COISA ESTÁ GRAVÍSSIMA,PODEMOS LER NO PRÓPRIO PROCESSO. TODOS TEM O DIREITO DE DIZER O QUE PENSA, NÃO PODEMOS NOS ESTRESSARMOS ENTRE NÓS, A SITUAÇÃO É SÉRIA E DEVEMOS FAZER IGUAL MUITOS JÁ FIZERAM... IRMOS AO PROCON E NOS INFORMARMOS REFERENTE A MENSALIDADE, AFINAL ASSINAMOS UM CONTRATO QUANDO ENTRAMOS E NÃO ESTAMOS TENDO O NOSSO DIREITO DE ESTUDARMOS.
    É DIFÍCIL FALAR OU ESCREVER QUALQUER COISA POIS É REVOLTANTE.
    MUITOS PERDERÃO ESTÁGIO COM O CIEE, CONTRATO COM O ESTADO E ATÉ MESMO AQUELES QUE PASSARAM NO CONCURSO PÚBLICO PERDERÃO SUAS VAGAS DEVIDO A ESTA GREVE(POIS NÃO TERÃO O COMPROVANTE DE MATRICULA PARA O PRÓXIMO SEMESTRE) E NÃO TEM NINGUÉM POR NÓS, É TUDO MUITO LENTO.


    AGUARDAREI SOMENTE ATÉ AGOSTO, POIS É O PRAZO MÁXIMO PARA NOS MATRICULARMOS NA OUTRA UNIVERSIDADE,FAREMOS O 5º SEMESTRE NOVAMENTE, NOS FORMAREMOS SOMENTE EM 2.011.

    TORÇO PARA QUE TUDO DÊ CERTO,PARA QUE NINGUÉM PERCA NADA, TODOS ESTAMOS EM SITUAÇÃO DIFÍCIL POR CAUSA DESTAS PÉSSIMAS ADMINISTRAÇÕES ANTERIORES,126 MILHÕES DE DÍVIDA É GRANA ALTA HEIM GENTE?! E A UNIVERSIDADE VEM TRAPACEANDO A JUSTIÇA FAZ TEMPO... NÃO SEI NÃO...

    CLAUDIA 5º SEMSTRE LETRAS - MATUTINO

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